Não se engane com o cumprimento cordial. Você bem sabe que nosso relacionamento já terminou faz tempo, muito tempo. Mas a mágoa não cessa. Por isso eu, que nem sou de guardar rancor, decidi colocar tudo nesta carta para exorcizar o mal que me causaste – e causa ainda, agora através dos meus entes queridos. Não, não se manifeste, é minha vez de falar tudo! Para começar, esqueça o "prezado". Eu acho mesmo que você é um tipinho muito do desprezível.
Lembra quando nos conhecemos? Tudo era uma festa. Eu era só uma menina pobre e você veio com aquelas promessas de dinheiro fácil e pouco esforço. Todo fim de mês eu juntava as mãozinhas e agradecia por ter meu próprio e querido Emprego de Nove às Seis. Há! Como fui ingênua. Não demorou nada para você fazer de mim uma garota oprimida.
Primeiro, me obrigava a usar as roupas que você queria. Vinha com aquela história de vetar o uso das calças jeans e camisetas de desenho animado. Fez com que passasse a comprar camisa branca de botão e sapato, tirou minha individualidade. Só porque todas as demais moças que andavam contigo eram assim? Precisava ser tão hermético?
Arrancando a criatividade das pessoas você se sente feliz. Depois fica indignado porque todos ao seu redor preferem jogar Paciência no computador... Pudera! Neste seu ambiente, a moçada perde a garra, a vontade. Mesas iguais, cadeiras iguais, baias minúsculas. Não podia grudar uma foto das minhas sobrinhas na parede e lá vinha você, ciumento, dizendo "isso não é comportamento profissional".
No começo, confesso, caí na sua lábia. Prometias de tudo, lembra? Viagem de férias, décimo-terceiro, plano de saúde e até convênio odontológico. Suas armas de sedução funcionaram comigo e larguei o Mercado Informal, o rival de longa data, para cair em seus braços. Quanto arrependimento... Temo nunca me recuperar de você, Emprego.
Vivi esperando que notasse minha dedicação e assumisse nosso compromisso. Que custava assinar os papéis? Colocar seu nome na minha Carteira de Trabalho seria um sacrifício tão grande? Tudo bem nunca ter enviado um panetone aos meus pais, mas nos estávamos firmes, você disse que tudo ficaria bem e que me daria até aumento! Canalha!
Já não posso sequer ouvir o seu nome. "Emprego de Nove às Seis". Bah! Quero distância. Vejo muito bem o que você anda fazendo com a minha irmã, viu? Não bastasse dominar a vida dela nos dias de semana, ainda faz questão de possui-la aos sábados. Ela tem família, você não tem coração? Não tem vergonha de usar essa moça e depois descartá-la?
Como fez comigo, por sinal. Recordo muito bem daqueles fins de semana. Você ligava e dizia que algo importante acontecera. Eu, ainda inocente com suas artimanhas, apanhava bolsa e casaco e corria ao seu encontro – apenas para descobrir que você queria o trabalho refeito, para ontem. Eu chateava, mas aceitava, imaginando que isso faria de mim sua eterna preferida. Mal sabia que você só gosta mesmo é de variar de funcionários. Troca a equipe como quem troca de cueca!
Felizmente acordei daquele pesadelo. Deletei os arquivos que fiz para você, apanhei minha caneca de café e bati a porta da redação sem olhar para trás. Você tentou me segurar, novamente oferecendo mentiras como "carro da firma" e "seguro de vida". Não caio mais. Já chega ter acreditado naquela promessa de "divisão de lucros". Dividimos mesmo: você ficou com a grana, eu com a dor na coluna por conta da cadeira velha.
Saiba que estou agora muito feliz com seu primo, o Trabalho em Casa. Vivemos de modo humilde e precisamos ralar muito para quitar as contas. Mas estamos bem. Ele me dá liberdade e nem liga se coloco os pés na mesa enquanto faço as reportagens ou falo no telefone. Pretendemos inclusive gerar filhotes, sabe? Projeto de Vida e Sonho de Infância devem vir ao mundo daqui poucos anos. Serão lindos – e mal posso esperar para esfregar a foto deles nessa sua cara-de-pau.
Não que eu seja vingativa, ou já teria tomado medidas contra as suas comadres. Elas ficam me apontando, pensa que eu não sei? Onde passo, perguntam "trabalha aonde?". E quando respondo "nenhum lugar específico, eu sou freelancer", vem aquele olhar. Assim que afasto, percebo os comentários: "freelancer, sei... Na minha terra isso tem outro nome... É aquela palavra com D... De-sem-pre-ga-da! Aposto que fica borboleteando o dia inteiro, essa aí". Que ódio tenho disso, cara! Como se só fosse respeitável quem joga no seu time!
Mas olha, Senhor Emprego de Nove às Seis, todos merecem ser felizes de uma maneira ou outra. Se fosse mais esperto, saberia que está cercado de gente que precisa de ti, mas não te ama. Não custava ser mais flexível, permitir uma folga aqui e outra ali. Com essa postura rígida de cem anos atrás, só o que você consegue são mentiras. Sim, porque quando aquele garoto diz "preciso ir ao dentista" ou "minha avó faleceu", ele cai mesmo é na farra! Vai ao cinema, viu? Não pense que você pode vigiar a todos por todo o tempo.
A mim, não engana mais. Um dia podemos nos encontrar de novo, porque... você sabe, eu gostava do pessoal. Das conversas no cafezinho, dos almoços em grupo, daquela dinâmica. Não de você, não! De você não tenho saudade. Te risquei da minha vida. E só escrevi para isso mesmo: dizer que você está demitido.
Passar bem,
Fernanda
As capas eram chamativas. O tamanho da letra,
grandão. As páginas eram poucas e ilustrações apareciam sempre. Tudo
isso acabava sendo chamariz para minha curiosidade quando eu era
criança. Naquele tempo, bastava ver uma brochura esperando para ser
degustada na prateleira “Infanto-Juvenil” que eu já sacava da frase
favorita dos petizes: “Compra, mãe?”. Se bem que hoje eu continuo
fuçando nas estantes mais coloridas da loja. A única diferença é que
não caibo mais nas mesinhas e cadeirinhas disponibilizadas para a
leitura dos pequenos – e sou chamada de “tia” por eles. Apesar do apelo natural que um livro voltado ao público infantil
carrega, acender a vontade de ler é trabalho árduo quando se tem apenas
um punhado de anos. Como competir com videogame, Internet, televisão e
brincadeiras com os amigos? E olha que a escola também não colabora
muito. Acho o fim aquelas leituras obrigatórias de apenas uma opção –
ou seja, todo mundo vai ler exatamente o que a professora acha legal. Eu passei por tudo isso. Confesso que muitas vezes preferia tentar
quebrar meu recorde no Enduro a passar a tarde lendo. Mas não há
administradores de tempo melhores do que as crianças. O dia, para elas,
possui umas 36 horas. Dá para fazer de um tudo – ler, inclusive. Eu
conseguia. E, apesar de não haver Harry Potter naquela época, a magia
era certa com... 1- O Gato do Mato e o Cachorro do Morro 2- O Gênio do Crime 3- O Menino do Dedo Verde 4- A Curiosidade Premiada 5- O Escaravelho do Diabo 6 - A Bolsa Amarela 7- Quem Manda Já Morreu 8- História Meio Ao Contrário 9- Marcelo, Marmelo, Martelo 10- O Menino Maluquinho
De Ana Maria Machado
Existe um título infantil mais delicioso do que essa riminha
aparentemente boba? O Gato do Mato vivia brigando com seu maior
inimigo, o Cachorro do Morro, para decidirem quem era o mais valente e
destemido da dupla. O problema é que do nada surge um leão para botar o
rabinho dos dois entre as pernas. Nas minhas lembranças confusas, este
livro figura como o primeiro.
De João Carlos Marinho
Quando chegamos naquela fase em que histórias de fadas e bichos viram
“coisa de criança” (como se ainda não fôssemos isso), a melhor pedida é
esse causo de mistério que fez parte da infância de muita gente – uma
vez que foi publicado, pela primeira vez, em 1969. Foi a chance de
brincar de detetive mirim e adivinhar quem estava por trás do esquema
de falsificação de... figurinhas!
De Maurice Druon
Era o meu “Pequeno Príncipe”. O personagem também é descrito como um
menino loiro de olhos azuis e que vivia em um mundinho só dele. O dom
de Tistu era, claro, o dedo verde – tudo o que ele tocava ganhava vida,
principalmente as plantas. Tipo aquela cena de “E.T. – O
Extraterrestre” em que o alienígena faz uma flor reviver. E a história,
como no cinema, tem final triste e inesperado.
De Fernanda Lopes de Almeida
Toda criança já passou pela fase dos “Por quês”: para a gente era
divertidíssimo saber por que a água é molhada e por que o fogo é
quente; para os adultos, porém, deve ser dose. Essa brochura mostra bem
o assunto levado até as últimas conseqüências. Glorinha é uma peste que
quer saber tudo e incomoda muita gente com tanta curiosidade. Mas
consegue, com isso, fazer até os pais aprenderem.
De Lúcia Machado de Almeida
Se eu fosse falar de todos os livros que li da “Coleção Vaga-Lume”,
precisaria de pelo menos um mês inteiro só versando sobre o tema. Como
nem eu nem você agüentaríamos, vou me ater apenas ao principal. A
história dava conta de uma série de assassinatos de pessoas ruivas que
recebiam um pequenino escaravelho pouco antes de comerem capim pela
raiz. Dava medo, mas era ótimo.
De Lygia Bojunga
Outro dia vi esse volume em um sebo e amaldiçoei os céus por não ter um
troco sequer na carteira para comprá-lo. Tudo bem: prometi a mim mesma
voltar lá depois para reviver a saga da menina que mistura o dia-a-dia
com histórias fantásticas de amigos imaginários que só uma criança
sensível e imaginativa consegue criar. Faz muito tempo, mas lembro de
ter devorado cada página.
De Marcos Rey
Outro favorito da coleção “Vaga Lume”. Perceba que eu já adorava
histórias tipo “C.S.I” desde pequena. Ali, o herói era o Edu, um rapaz
que ajudava seu tio detetive – conhecido como Palha – a desvendar
mistérios. O maior deles era a identidade de um tal de Boss. Depois de
ler e reler e reler mais uma vez, ainda fiz com letra caprichada todo o
suplemento de atividades. Sem a professora mandar.
De Ana Maria Machado
É tudo de trás pra frente, de ponta-cabeça. E como era divertido!
Primeiro, o livro começa com “E eles foram felizes para sempre” e
termina com “Era uma vez...”. Depois, a princesa se recusa
terminantemente a casar-se com o príncipe encantado. A autora colocou
um conto de fadas no espelho e recriou tudo assim, maluco, para a
alegria dos pequenos que, como eu, tiveram a sorte de ler.
De Ruth Rocha
Três histórias em um só volume: uma sobre Marcelo, um menino que
resolveu criar seu próprio idioma, digamos, básico (cachorro era
“latildo” e colher era “mexedor”); uma sobre Teresinha e Gabriela, duas
garotinhas bem diferentes, mas que no fundo eram iguais; e uma sobre
Carlos Alberto, um moleque mimado e egoísta que não gostava de perder.
E tudo isso assim, de uma vez. Maravilha.
De Ziraldo
Certamente o meu livro infantil favorito de todo o universo. Tanto que
eu ainda o guardo, apesar da capa rasgada, das folhas soltas, do cheiro
de mofo e dos rabiscos de canetinha que meus irmãos fizeram nele quando
eram bebês. E o pego de vez em quando para falar oi ao menino que era
maluquinho como todos nós éramos, mas que virou um adulto muito legal.
Como eu espero ter virado
Quando o senhor se foi não esperava que retornaria. Fiquei surpresa ao ver o senhor na minha porta hoje pela manhã; talvez (pensei logo no início) que teria esquecido de algo mas logo tomei conta de mim e vi que não passava de um engano de minha parte, então por favor quando resolver fazer mais uma 'visita surpresa' encontre logo seu caminho de volta.
Porque depois de tanto tempo, o senhor passa devagar na frente da minha casa, como um bom espião observando todo o movimento de minha residência, o senhor como ótimo observador que é, deve ter percebido que não há nada de diferente desde que se foi, incluindo aquele enorme coração cheio de flores, chocolates e gentilezas que o senhor levou de mim junto com as minhas borboletas que me faziam calafrios no estômago quando eu o via antigamente. Quero que saiba sr. No que as tais borboletas me fazem muita falta, inclusive meu coração também que repito o senhor levou já com bastante dano.
Então o senhor pergunta. ' Que coração, Que coração?' Bem quando o senhor se foi não esperava que retornaria, então não achei importante treinar para lhe dizer um dia ' Eu não sinto muito pelo senhor.'
Espero que depois dessa visita, o senhor não volte mais, não por falta de educação de minha parte, desculpe se fui arrogante demais, eu só preciso que o senhor me devolva o que levou de minha pessoa.
Sinceros votos de boa sorte na sua nova vida.
"Pois logo a mim, tão cheia de garras e sonhos, coubera arrancar de seu coração a flecha farpada. De chofre explicava-se para que eu nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto - uivaram os lobos e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir. "
(Trecho do conto 'Os desastres de Sofia', in "Felicidade Clandestina)
Momentos de indecisão profunda mas com previsões de certezas futuras;
É gozado pensar na Humanidade. Hoje, rompido o século 21, ano de 2004, já fomos capazes de viajar com a velocidade do som, acessar um banco de dados mundial ligando um computador 386 e até de alcançar a Lua. Mas muitos de nós ainda repetem máximas e tomam atitudes que já ficavam embaraçosas quando impetradas por senhores de engenho usuários de monóculo.
É engraçado, porque à mínima menção desse tipo de pensamento, me pego olhando em volta com aquela cara de “túnel do tempo” – e pensando, no ato, “diabos, voltei para 1975?”. Parece que vou olhar o letreiro do cinema e ver escrito “Tubarão”, vou ganhar uma viseira verde de aniversário e o jornal da TV irá anunciar a prisão do maior traficante do país, aquele vendedor de lança-perfume! Tudo fica antigo demais ao redor. Quase sépia, de tão retrô.
Vocês já devem ter tido a mesma sensação. É aquele estranhamento imediato ao ouvir de outra pessoa que “bandido bom é bandido morto”. Ai! Instantaneamente, nossa cara fica torcida como a de quem chupou limão-taiti. O queixo cai um pouquinho, o olho aperta e a cabeça pende para o lado. Tudo acompanhado de um “QUÊ?” imaginário.
Ao menos para mim esse tipo de frase é estranha. Primeiro, porque existem vários tipos de bandidos, e não apenas um protótipo de meliante único, merecedor de forca, guilhotina ou câmara de gás. Uma vez, na faculdade, debatemos sobre o ditado reacionário. “Bandido bom é bandido morto?”, perguntou a professora. Metade da classe disse que sim, emendando respostas prontas e certamente ouvidas no programa radiofônico do Afanásio Jazadji.
Todos esses se baseavam em coisas como “matou, tem que morrer também”. Mas e se fosse seu filho o matador? E se foi um acidente? E se o sujeito pecou para se defender? São tantos e tantos “e ses”! Difícil concluir assim, com tanta pressa, não?
Mas escutar o repúdio a bandidagem e o apoio à pena de morte é tão surpreendente quanto notar aquele velho ódio aos homossexuais. Incrível como a opção sexual alheia pode causar náusea em certas pessoas.
Costumo ouvir muito o velhíssimo “pode ser bicha o quanto quiser, é só não vir pro meu lado”. Na hora já pisco os olhos bem forte e tento encontrar ao redor carruagens, bondes, mulheres vestindo anágua e senhores de cartola. Sim, porque tem afirmação mais 1920 do que essa? E ademais... quem disse que, só porque o sujeito é gay, ele correrá para se pendurar em qualquer pescoço a passar na frente, raios? Eles são mais seletivos do que isso. E costumam ter bom gosto.
Os pensamentos “túnel do tempo” realmente me fazem engasgar com café ou soltar uns “HEIN?” bem descarados. É involuntário. Sei que bem poderia ouvir, ficar quieta e deixar para lá sem manifestação alguma. Mas como? Antes de perceber, já me pego dizendo “putz, essa frase foi mais velha que minha vó-menina, cara!”. É muito mais forte... Mas não há escapatória quando escuto “comunista é tudo safado” ou “ele rouba, mas quem não rouba?”.
No primeiro caso, porque sei que a pessoa imagina um comunista de projeto básico: um barbudo mal-humorado, vestido de camiseta vermelha apertada e furada, e que pretende dividir nossas casas em duas e ceder metade ao pobre povo da favela. Mesmo que muita casa por aí mereça mesmo ser loteada e repartida entre muitos desfavorecidos – como a do sêo Ségio Naya, que daria um refúgio e tanto para os coitados do “Edifício Palace II” –, eu ainda acho que não é bem assim que os comunistas pensam.
Mas a ficha não cai para todos. E eu fico aqui, ouvindo isso e me sentido numa reunião de militares vestidos em verde-oliva e pitando charuto.
O segundo caso, a tal consciência de que roubar dinheiro público não faz mal, desde que a ponte ou o túnel fiquem prontos, é de matar. Lembra na mesma hora os tempos em que aquele senhor de óculos fundo de garrafa ainda falava muito ao “povodesaopaulo” pela nossa TV preto-e-branco com seletor.
Com o consentimento generalizado e burro, ele ficou bem rico, o safado. E ainda hoje, dezenas de anos depois dessa maldita fase, ainda há quem repita o pensamento sem pudor. A cada vez que escuto, dá vontade de ir à quitanda comprar Kri, um picolé Fura-Bolo e uma garrafa de Tubaína a bordo do meu Maverick. Porque só assim é que voltar ao passado rende boas lembranças.
Era uma vez um lemingue animado.
- Faaaaala, pessoal! E aí, tudo em cima? Como é que vocês estão?
- Nhá...
- Ô, gente, que é isso, vâmo animar! E aí, qual o programa para hoje à noite?
- Hoje é segunda-feira, meu.
- E daí? Tem decreto dizendo que não pode se divertir de segunda-feira? Cadê o ânimo?
- Nhé...
- Então, tava dando uma olhada no Jornal de hoje e tem um bar novo, de música cubana, superlegal. Eles têm instrutores que ensinam a gente a dançar salsa...
- Pelamordedeus, cara, nós não queremos aprender a dançar salsa.
- COMO NÃO QUEREM APRENDER A DANÇAR SALSA, PÔ?! Todo mundo quer aprender a dançar salsa. Tcha-tcha-tcha-tcha-tchá, uh!
- Isso é merengue.
- Merengue, salsa, manjericão... Uaréver. Eu vou nessa! Falou, fui!
- Cuidado que para esse lado aí tem um penh...
- Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh...
- ... nhasco. Bom, não se pode escapar ao seu destino.
Era uma vez uma drosófila sonhadora.
- Não vejo a hora de contar as minhas histórias de vida aos meus netos... Como aquela vez em que eu, o Zé e os caras ficamos muito loucos de flit quando estávamos ali na fruteira, fazendo um lanchinho!
- Mas isso foi agora há pouco, na hora do almoço.
- Claro, eu nasci esta manhã. Quando mais poderia ser? Estas maluquices a gente só faz na juventude, né? Imagina, encher a cara de flit à noite, quando já estamos na madureza, é feio.
- E quando exatamente você pretende encontrar os seus netos?
- Como assim?
- Bom, você sabe... Só enquanto conversávamos aqui já entramos na meia-idade! Por acaso, seus netos já nasceram?
- Não, mas meus filhos já estão me dando problemas com a adolescência. É dose. Há meia hora eles eram bebezinhos lindos, e agora me vêm com um papo de “empresta as chaves do carro, coroa?”. Pfff.
- Er... então, como você pretende encontrar os seus netos se agora já estamos no asilo?
- Do jeito que meus filhos estão indo, já já recebo a notícia do nascimento dos novos rebentos da família.
- Acha que vai dar tempo?
- Claro que s... ugh! Meu coração! Acho que estou... estou... Olha, uma luz, que lindo! Vou em direção a ela!
- Cadê o botão para chamar a enfermeira? Ei, enfermeira! Aqui! Ó, mais um empacot... Ugh! Meu coração!
Era uma vez um cavalo-marinho de carreira.
- Então, benhê, agora que nos casamos eu pretendo fazer uma pós em comunicação empresarial para conseguir uma posição melhor lá na empresa. O problema é que não posso parar de trabalhar, então estou pensando em cursar a pós à noite. E, de sábado, vou fazer um curso de italiano, porque tem uns boatos aí de que vamos ter uma fusão com uma firma italiana...
- Mas, meu amor, e os bebês?
- O que têm os bebês?
- Quando casamos você disse que queria ter filhos!
- E quero, coração! Claro que quero!
- Então, como vamos fazer?
- Ué! Você engravida e eu estudo e sigo minha carreira. Aos domingos, posso cuidar das crianças para você.
- Er... amoreco, seu pai nunca conversou com você sobre as flores, as abelhinhas e sobre quem carrega os bebês na nossa espécie?
- Não.
- Hum. Então, senta aqui para a gente conversar.
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- Nãããããããão! Ó, céus, por que, por quê?! A minha carreira, o meu MBA no exterior, o italiano...
- Bom, estou saindo para trabalhar, benzinho. Não me espera, que depois do trabalho vou sair com as meninas para tomar umas batidas. Se der tempo, na volta passo na Alô Bebê e compro umas coisinhas para o nosso enxoval. Até loguinho!
Era uma vez uma lagartixa vaidosa.
- Marquei a cirurgia para semana que vem!
- Vai colocar silicone?
- Ná. Na verdade, eu quero é tirar.
- É mesmo? Vai tirar o quê? A papada?
- Não, menina, vou tirar... ei, como assim, a papada? Eu não tenho papada!
- Er, claro que não! Eu estava fazendo piada. Sabe, quando a pessoa não tem alguma coisa e a gente diz que ela tem, só para... Ah, enfim. Vai tirar o quê?
- Jura que não conta para ninguém?
- Juro, sou um túmulo.
- Vou tirar o rabo!
- Gasp.
- Sabia que você ia se surpreender! Não sei como nenhuma de nós pensou nisso antes! A gente fica para lá e para cá com essa coisa pesadona aí atrás, eu acho tão antiestético! Você não acha?
- Eu... er... hum...
- Olha, cá entre nós, a plástica vai ser uma fortuna. Vendi até o carro para pagar. É que eu vou fazer com aquele médico da tv, sabe? O doutor Robert Ray.
- Mas...
- Ah, nem adianta falar nada! Já estou decidida! Eu sei, é ousado. Mas mal posso esperar para me ver sem esse rabão ridículo!
- Você já pagou?
- Claro! E não tem devolução.
- Puxa. Bem, o que posso dizer?
- Que tal ‘boa sorte’?
- É. Boa sorte. Você vai mesmo precisar.
Comida é pasto, diziam os Titãs. No geral, até concordo com essa informação – exceto quando estou comprometida das minhas funções estômaco-intestinais, como nos últimos dias. Aí, podendo degustar apenas batata cozida, arroz branco e peito de frango com limão, a gente vê que comida, definitivamente, não é pasto. Só esta que estou comendo.
Em quatro dias, tudo o que comi se resume aos ingredientes acima, mais bolacha de água e sal, torradas integrais e chá de hortelã. Combinei das mais diversas formas possíveis: sopa de batata e peito de frango. Arroz com batata amassada e filé de frango. E... só. Ou minha criatividade culinária é mesmo parca ou a festa dos lemingues animados que minha barriga parece abrigar mexeu com o meu cérebro.
Nos cafés da manhã e da tarde, bolacha de água e sal e chá. Ou torrada e suco de limão. No primeiro dia, as bolachas tinham gosto de... nada, como toda bolacha de água e sal. No segundo, elas adquiriram um leve sabor de pizza de mussarela com tomate cereja e manjericão fresco. No terceiro, pareciam rolinhos primavera chineses. No quarto, macarronada com frango empanado e maionese.
(É, parece que não tem nada de errado com a minha criatividade, só com a minha barriga mesmo).
O pior de tudo nesta situação – e o que faz a bolacha de água sal adquirir o gosto de tanta coisa diferente, e cada vez mais elaborada – é ter vontade de comer e não poder. É uma luta constante entre meu juízo e meu apetite. Então eu olho para o catálogo de pizzas, para o pacote de torradas integrais e a cabeça é obrigada a fazer o resto para tentar acalmar este duelo de gigantes (sim, porque meu juízo é mais ou menos do tamanho do meu apetite).
Querendo alguma variedade, cheguei ao segundo e ao terceiro clássicos da dor-de-barriga: a maçã raspadinha e a coca sem gás. A maçã raspadinha ainda vá lá. É uma delícia, lembra a infância e outro programa genial de ficar doente (coisa que só é boa quando tem alguém para te mimar o dia inteiro, cozinhar seu peito de frango e agüentar você reclamando): assistir desenho debaixo das cobertas. Temos de dar esse ponto para a doença.
Já a coca sem gás... minha Nossa Senhorinha das Sodas Mortas. Convenhamos, há uma razão fortíssima para John Pemberton ter metido as bolinhas naquele xarope. Quem já passou pela experiência de sorver o líquido negro do capitalismo totalmente desprovido de suas borbulhas sabe do que eu estou falando.
Anteontem me peguei salivando por uma folha de alface com shoyu. A situação está crítica. Não vejo a hora de me jogar nos rodízios, pizzarias, lanchonetes e trattorias da cidade. Só quando a gente se vê obrigado a ficar sem comer é que percebe como este é um prazer indescritível e essencial. Por isso, faço um apelo a esta maldita virose que me atingiu: pegue seus lemingues e se mande. Para ontem.
Há algumas coisas q nem quero ver na minha frente mas sou obrigada a conviver mas entre elas ainda se destaca a capacidade de bagunça q amigos e parentes até mesmo os mais distantes tem de fazer na minha vida.
òtimo q estou de ferias e hj já desejo do fosse agosto. Só pra não ter q conviver com a rotina de sempre. eu nao gosto de certas rotinas e podem até me deixar zonza, De verdade?
Gostaria de sair de manhã e voltar á noite . Trabalhar e estudar ao mesmo tempo ...seria bom.
Fiquei pensando q se minha vida fosse assom um telhado de vidro eu talvez ficasse um pouco mais confusa do q estou.
Acho q é isso. Boas férias e muita paciência pra mim.
Minha mãe e meu pai são dois humanos muito doces, sábios e democráticos. (Quase) sempre eles deixaram que eu escolhesse o que queria da vida sem ditar regras. Nem furaram as minhas orelhas quando eu era bebê, olha só! Deixaram que eu escolhesse até se queria ou não perfurar meu próprio corpo!
O bom é que eles me deixaram fazer muitas opções, mas não tantas que chegassem a arruinar o futuro. Se tivessem deixado eu escolher meu nome e estilo de vida em cada fase do crescimento, por exemplo, já teríamos virado matéria de jornal;
Excesso de liberdade atrapalha, sabem como é.
Acontece que a evolução humana é notória com o passar dos anos. Ainda bem, ou eu ainda estaria usando saias balonê, polainas e óculos de armação acrílica azul. Tudo ao mesmo tempo! Se mamãe e papai não tivessem me botado no caminho certo, aliás, eu podia ter tido a trágica idéia de parar em alguma das seguintes fases:
Desde os 5 anos eu teria optado por...
...me chamar Gigi, andar pela rua usando saia de tule e touca de banho e ser uma corajosa bombeira.
Desde os 10 anos eu teria optado por...
...me chamar Victoria, sair de casa usando macacão com cinto e cabelo arrepiado na frente e ser aeromoça.
Desde os 15 anos eu teria optado por...
...me chamar Marilyn, vestir apenas roupas feitas manualmente de algodão e ser professora de geografia – num colégio no litoral.
Desde os 20 anos eu teria optado por...
...me chamar Fernanda com variação a 'Nanda' para os íntimos , usar o que desse na telha sem me preocupar com o que os outros iam dizer e ser programadora e que também escreve sobre amenidades sem crise de consciência.
Hum, acho que foi nessa fase que papai e mamãe pararam de me dar diretrizes. Viu como deixar a escolha pros filhos é uma boa política?
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Alguém globalizou o café . Isso mesmo , o café expresso e ninguém jamais se manifestou contra isso, a não ser é claro eu e balconistas. Cheguei a um lugar onde café expresso é novidade e verá como os moços balconistas admiram-se como algué pode gostar daquilo. Meu melhor amigo adora café expressso assim como eu mas ele é viciado em cigarro e cafeina,mas com uma diferença: ele odeia açucar, adoçante ou qualquer outra coisa que tire o sabor do café natural. Assim, quando uma vez fomos sair e conversar em uma lanchonete e pedimos café expresso logo a moça se espantou: - Puro? Credo! como o senhor consegue? a cada golinho que ele dava ente uma tragada e outra , a moça se arrepiava como um giz em um quadro negro ou um garfo arrastando no fundo de um prato. De fato , o que quero chamar atenção é sobre essa globaização de nosso cafezinho a essa altura já chegou a Patagônia deu a volta no sertão e terminando na reserva ambiental de sua preferência. Os americanos só fizeram a revolução da informática depois que provaram uma xícara de café expresso; não é a toa ue a tecnloogia |
adorada e indrolatada na net desde seu nascimento chama-se Java - era o caféque os progamadores bebiam durante a madrugada para reinventar a web - hj a única bebida americana expecializada em café saiu o seetle , igualmente a msm cidade Microsoft.
Mas não sou a favor da globalização , nem eu nem as moças balconistas. O café é único. do jeito q cada um aprende a fazer desde pequeno , com espuma , licor, ou outra mistura.
Sempre foi pessoal e intrasferível.





Minha infância foi cheia de livros. Que agora tem faltado, por problemas de tempo.História Meio ao contrário era meu preferido!=* read more
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